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11 abr 2010

Guion 6º tratamento

Histórias do Coração

Historias del Corazon

6º tratamento

Por Sergio Glenes e Patricia Alves Dias

a partir da História «O Caminho da Mata Redonda» de BraulioTavares

07/04/10

O Caminho das Gaivotas
El Camiño de las Gaviotas



CENA 1 – APRESENTAÇÂO ILHA DO NADA

Um cata-vento inerte.

OFF: Era uma vez, um lugarejo muito,

muito longe daqui... longe de tudo

e de todos...

Um céu azul imenso, límpido onde voam gaivotas, muitas e ligeiras.

OFF: Lá, não havia nada,

apenas três casas...

As Gaivotas sobrevoam o lugarejo desolado, seco e silencioso onde há um coqueiro, uma vaca e três casas.

OFF: ... um coqueiro e uma vaca...

CENA 2 – AS CASAS

Detalhes de pedaços de três diferentes construções (ambientes) e seus objetos.

CENA 3 – MARIA SOLEDAD, SEUS VIZINHOS e SEU BRINCAR

A primeira casa, tinha uma senhora triste numa das janelas a observar o nada e perdida em seus pensamentos.

(som do ranger demorado das gambiarras, da madeira, dos atritos das ferragens como ruídos de antiga embarcação)

Era um Moinho, de cabeça para baixo, com suas pás fincadas ao chão.

Da casa, cheia de pequenas janelas, de estilo antiquado e reforçada com ferragens e traquitandas, sai uma Menina que rouba um beijo de sua mãe.

OFF: Lá, também vivia uma menina...

que se chamava: Maria Soledad.

Ela desce saltinante e traquina por entre as gambiarras.

Nas mãos, segura uma trouxinha feita de colcha de fuxico, cheia de brinquedos que estende e fora na frente de casa. Era uma boneca, um pião e uma flauta de bambu.

OFF: Apesar de seu nome, Soledad nunca estava só.

Ela sempre estava acompanhada

de sua boneca, seu pião, sua flauta e

uma coberta de fuxico.

(Som da voz de mulher falando ininterruptamente um lingua que não se entende)

Perto dali, uma outra casa, comprida, de dois ou três andares, de onde sai uma fumaça cinzenta. Lá moram um Velho Magrinho e sua Esposa tagarela. O velho está sempre sentado na varanda, numa cadeira de balanço, a ler livros antigos de capas duras encadernados com couro e ouro. Ignora as repreensões de sua esposa Gorda e atarefada, que surge na janela ou na sacada fazendo os afazeres domésticos.

A Menina joga seu pião na frente do senhor Sonhador e sopra na sua flauta uma doce cantiga para acalmar o vozerio da Senhora Gorda.

(Som de correntes e rosnados de feras)

A outra casa, a menor de todas elas, é decadente e revela ossadas e também correntes entre os muitos buracos nas paredes - de tilojos aparentes - que prendem o que parecem ser feras a rosnarem insistentemente.

A Menina rodopia como se fosse o seu próprio pião,ensaia ser um dervishe para apascentar o que pareciam ser feras.

OFF: Mas nessa lugar, feito de nada,

ninguém dava atenção a Soledad.

Todos eram tão ocupados com os seus afazeres...

Passagem de tempo. Usar elemento giro de Soledad a rodopiar.

CENA 4 – O CAMINHO PARA A ESCOLA

CATA-VENTO em primeiro plano no lugarejo ermo.

OFF: E como era comum, naquele lugarejo do Nada,

todos os dias, Maria Soledad ia à escola...

Menina, de costas, passa pelo quadro, segurando sua trouxa de brinquedos e um Livro. Cata-vento ainda em primeiro plano.

Alegremente, anda, corre, rodopia e pula amarelinha, suave como uma bailarina.Nas mãos, sua trouxinha de brinquedos e também um Livro.

Soledad vai se afastando, se afastando, até chegar num Caminho bem longe formado de rochas e pedras sobrepostas, onde aportam e descansam as gaivotas de suas pescarias e vôos mais longos.

Ao passar, as Gaivotas cortejam Soledad alegres e brincalhonas como beija-flores no ar.

Menina sai do quadro pelo caminho e gaivotas a acompanham.

CENA 5 – EL DIOS HURACÁN

CATAVENTO aos poucos começa a girar e girar e girar mais forte...

OFF: E de repente, naquele lugarejo feito de Nada, chegou o Dios Huracán...

(Sons de ventania...mar...)

Imagem céu com gaivotas rodopiantes, muitas, se esbarrando umas nas outras. RECURSO PARA SUAVIZAR a chegada do Dios.

Camera desce para Horizonte que se confunde com céu.

OFF: E levou cada parte daquele Mundo do Nada,
e o Nada ficou para trás
.

(OFF: Y de pronto, en el vilarejo hecho de Nada, llego El Dios Huracán. Y llevó cada parte de eso Mundo de Nada, y El Nada quedo para atrás)

Lugarejo ermo. Sem gaivotas, nem casinhas, nem Nada.

CENA 6 – O MUNDO SEM NADA

Soledad aparece no quadro diante do grande vazio, olha de um lado para o outro e põe-se a chorar de joelhos.

OFF: Maria Soledad agora estava sozinha,

naquele Mundo de Nada...

Nem Caminho e nem Gaivotas.

Depois de algum tempo, ela tira de dentro de sua troxinha sua flauta de bambu e executa sua doce e suave cantiga. A mesma cantiga de antes.

OFF: Mas se dá conta que chorar em nada ajudaria...

(sons da musica de Soledad se misturam a assovios que invadem a cena)

CENA 7: O HOMEM DO MAR E O PRIMEIRO (RE)ENCONTRO NUM PORTO

Uma imagem inesperada surge por entre a cortina de vapores e neblinas: a silhueta de uma pequena embarcação. Nela, a figura do seu condutor: um senhor de casacos e bigodes brancos, mais velho, aspecto de capitão, pescador... Um Homem do Mar.

Ele se aproxima ainda assoviando, e lhe dá as mãos em convite para embarcar naquele objeto que não estava bem claro ainda se era um barco ou um submarino ou o que. Prontamente ela aceita.

Nesse movimento ele a acolhe nos braços e lhe conta algo no ouvido como se fosse um segredo. Ela sorri timidamente.

A neblina espessa se dissipa vagarosamente, e revela as águas do mar cintiando os mil brilhos que refletem do sol.

Revela-se um porto e uma embarcação insólita cheia de traquitanas que lembra a casa de Maria Soledad (inspiração balão de Barão de Muchausen). Sobre o barco, gaivotas que comemoram esse encontro feliz com Soledad.

CENA 8: A PARTIDA

O Homem do Mar, em seguida, tenta dar partida ao barco, mas os motores falham. Ele insiste sem sucesso.

Soledad timidamente toca nele, sugerindo que tem a solução: desfaz a trouxinha de brinquedos, sobe no mastro e lá amarra a colcha de fuxico de retalhos.

O Homem do Mar sorri e ajuda a menina a concluir a tarefa. Esticada no mastro do barco, a colcha torna-se uma belíssima e colorida vela.

Ela e ele sopram a nova vela. E no impulso dos ventos, a tripulação parte contente sofejando a mesma canção de Soledad.

CENA 9: AS ILHAS DA FANTASIA

E revela-se que o mundo de Soledad era uma ilha, uma pequena ilha. E tão pequenina frente à beleza da imensidão do mar. Um novo horizonte, mais amplo, ensolarado e alegre se revela para a Menina.

O Homem do Mar presenteia a menina com um objeto novo: um telescopio. Ela sobe no mastro e a rodopiar e de lá do alto pode ver os detalhes de ilhas irmãs.

Surgem tantas outras ilhas naquele mar, grandes ou pequenas, agrupadas ou isoladas, habitadas por gente ou bichos, plantas, seres do ar e do mar. Outras com portos, navios, barcos, submarinos, habitações de todos os tipos. Seres de todas as formas peixes, pássaros e borboletase cores. Peixes voavam e os pássaros nadavam. Um mundo tão novo que jamais Soledad sonhara.

CENA 10: A ILHA DO(S) (RE)ENCONTRO(S)

Um tempo depois, em plano subjetivo, depois de descobrir tantas ilhas de fantasia, Soledad percebe a casinha dos rosnentos, que continuam ainda a uivar e latir, sem parar, numa ilha onde habitam muitas gaivotas.

As gaivotas companheiras do barco voam rapidamente ate lá, e a convite do grupo que chega, as moradoras se avoam animadas, revelando a casinha dos cães.

Soledad aporta para socorrer os cães e os solta das correntes. Revelam-se pequenos e dóceis em suas mãos. São tres caezinhos pintchers. Correm felizes e para saldar Soledad.

Soledad pega o caminho de volta para o barco. E os cãezinhos puxam-na pelo vestido. Eles querem leva-la para algum lugar. E o Capitão faz um gesto que ela vá, diante de sua dúvida. Os cães vascullham curiosos e farejam o chão, conduzindo Soledad.

O Capitão, do barco, assiste tudo tranquilamente como se soubesse aonde eles iriam chegar.

CENA 11: A VACA, DOM QUICHOTE E A DULCINEIA

Soledad caminha na ilha, curiosa e avista, ao longe, no céu, um fio de fumaça cinzenta que sai de uma chaminé quebrada. É o prédio do casal vizinho - apenas o segundo ou terceiro andar - fincado sobre uma pedra alta.

Surge na sacada ainda muito mais tagarela que outrora, a tal senhora que reclama numa lingua que não se compreende... Logo depois, surge o senhor magrinho um pouco mais ao longe, montado na vaca (como um cavaleiro Dom Quixote). Ele sorrir displicentemente, a vaca cominha com sua preguiça costumeira, tranquilos e satisfeitos enquanto a mulher esta a repreendê-lo da sacada...

Soledad lhes oferece a corda do seu pião para ele chegar até a mulher e começa a tocar sua flauta. Ele sobe pela corda, como um verdadeiro príncipe, chegando com certa habilidade até a sacada. Lá, ele a beija galantemente, ela atordoada, restaurada de doçura, silencia perante seguidos beijos...

Soledad esboça um sorriso pelo (re)encontro do casal, não mais briguento.

Todos os seis, a mulher gorda, seu marido muito magro, os tres cachorrinhos e Soledad montam na vaquinha que caminha até o barco sobejando sua canção.

CENA12: A AUSENCIA DA MÃE

Todos sobem ao barco com ajuda do Homem do Mar, menos Soledad. Ela se entristece e não quer embarcar. Ela tinha a esperança se achar sua mãezinha. Mas a ilha era tão pequenininha que sua mãe certamente não estaria lá.

(som de assobios da catiga de Soledar)

Sopra uma brisa naquela ilha e no mesmo vento que revoa os cabelos de Soledad, traz um outro som além do chiado das ondas do mar e do burburinho costumeiro das gaivotas: uma melodia suave, sob a forma de assobio e às vezes com um cantarolazinho.

Soledad desperta da quase tristeza.

As gaivotas voam todas numa só direção. E Soledad corre alvoroçada e sai a procura do som que é tão familiar à menina, sob a aprovação do Homem do Mar.

O casal, a vaca, os cães, Soledad e o Capitão continuam no barco.

E em meio ao canavial que invade a visão da menina correndo , o som da cantiga vai aumentando. E dentre os matos, como de canaviais, Soledad chega numa clareira onde está sua mamãe. Ela está sentada em cima de uma tartaruga gigante.

Um longo caminho, contornado por Giovotas leva a Menina à sua mãe.

Soledad abraça sua mãe que já estava lhe esperando sorrindo, como nunca em outrora, de braços tão abertos, como nunca em outrora. As duas se abraçam e rodopiam cantando a canção da menina.



CENA 13: O (RE)ENCONTRO

Na embracação, o Homem do Mar recebe a mãe com assobios da canção. A mamãe de Soledad sorri e responde cantando a mesma cantiga. A família se abraça, e com os convidados o barco segue viagem, para o horizonte com sua tripulação abraçada e cantarolante.

A Câmara continua imóvel e se vê o barco velejar para o infinito e o mundo todo, a Terra, começa a girar...

Passa no quadro a Ilha de Soledad. A ilha ainda tinha o mesmo coqueiro, a vaca, e imenso céu azul, não mais desolado e as tres casinha, de cabeça para cima, coloridas e cheias de flores e Gaivotas.

Numa das casinhas, um catavento vagarosamente começa a girar.

OFF: E assim, Soledad (re)encontrou

O Caminho das Gaivotas...

No mesmo Mundo

onde havia apenas

um Coqueiro, uma Vaca

E três casas...

CENA 14: QUARTO DA ABUELITA Y EL NIÑO

Um catavento em cena no primeiro plano.

Um quarto, ou uma sala, aconcheguante: um lugar seguro... com cortinas pouco esvoaçantes a luz noturna.

Uma abuelita, observado por um niño em seus braços, sopra um cata-vento de origami.

A câmera se afasta e no ambiente, revela-se objetos inertes do mundo, das ilhas e da casa de Maria Soledad pendurados pelo ambiente. Imagens e objetos das Ilhas Fantásticas, do"Dios Huracán” e Gaivotas.

NIÑO: Conta-me outra história?

E a Abuelita começa a balançar a cadeira de balanço e cantar a canção de Soledad. Uma cantiga de Nanar. Todos os objetos inertes magicamente começam a tomar vida e todos se movimentam como se movidos pelo Dios Huracán agora apascentado.

Trilha: Musica alegre (cantiga), baseada no tema de Soledad (flauta).

A doce cantiga da abuelita se mescla vagarosamente ao ruído dos ventos e do son del Dios Huracán.

Fim da canção.

Silêncio.

Sons de gaivotas. Sobe creditos

F I M

29 mar 2010



Histórias do Coração/ Historias del Corazon - 5º tratamento
Por Sergio Glenes e Patricia Alves Dias
a partir da História «O Caminho da Mata Redonda» de BraulioTavares
15/03/10


O Caminho das Gaivotas
 / El Camiño de las Gaviota


Um cata-vento inerte.

Na imensidão do um céu azul límpido, gaivotas, muitas e ligeiras, sobrevoam um lugarejo desolado, seco e silencioso.

Vemos uma casa fincada de cabeça para baixo cheia de pequenas janelas, de estilo antiquado e reforçada com ferragens e traquitandas. Ouve-se o ranger demorado das gambiarras, da madeira, dos atritos das ferragens como ruídos de antiga embarcação. Uma senhora triste está numa das janelas a observar o nada e perdida em seus pensamentos.

Perto dali, uma outra casa, comprida, de dois ou três andares, de onde sai uma fumaça cinzenta. Lá moram um velho magrinho e sua esposa tagarela. O velho está sempre sentado na varanda, numa cadeira de balanço, a ler jornal com notícias velhas. Ignora as repreensões de sua esposa gorda e atarefada, que surge na janela ou na sacada fazendo coisas e falando um lingua que não se entende.

A outra casa é a menor de todas elas: esburacada, decadente, cheia de buracos na parede de tilojo aparente, onde se pode vê uma ossada e também correntes que prendem o que parecem ser feras a rosnarem insistentemente.

Mais nada nesse lugar. Só um coqueiro e uma vaca, e um imenso céu azul desolado.

Da primeira casa da senhora triste, abre-se uma janela e surge uma menina: Maria Soledad. Ela desce saltinante e traquina por entre as gambiarras.

Nas mãos, segura uma trouxinha [1] cheia de brinquedos.

A Menina desenha na terra e brinca de pular amarelinha[2] soprando numa flauta uma doce cantiga. E suave com uma bailarina, como se fosse o seu próprio pião[3] , ensaia ser um dervishe.

Mas nessa lugar, feito de nada, ninguém lhe dá atenção: são todos tão ocupados com os seus afazeres ou distrações.

E todos os dias Soledad vai a escola, sempre depois de roubar um beijinho de sua mãe.Ela parte ao sul deixando alegremente o pequeno vilarejo exibindo a sua disposição, balançando a trouxinha e também um livro nas mãos. Chega à ponte. Um caminho formado de rochas e pedras sobrepostas, onde aportam e descansam as gaivotas de suas pescarias e vôos mais longos.


Ao final da ponte, a escola. Há um alvoroço nas gaivotas quando ela atravessa. Elas cortejam Soledad alegres e brincalhonas como beija-flores no ar, assim as acompanham ate o mirante da escola.


Y en el cielo las nubes oscuras
anuncian el grande Dios Huaracán
Y una brisa inhabitual hizo el cataviento girar...
Y un fuerte viento hace todo disipar
como hojas de una copa en el otoño
y así cada parte de aquél mundo pequeño,
se deshace...
y nada queda hacia atrás

E uma brisa não habitual faz o catavento rodar...
E as nuvens escuras no céu anunciam a chegada do Grande Dios Huracán
E um forte vento faz tudo se dissipar
como folhas de uma copa de outono,
e assim cada parte daquele pequeno mundo,
se desfaz...
e nada fica para trás." [4]

Voltando da escola, Soledad diante do grande vazio põe-se a chorar. Onde estão todos? Sua mãe, seus vizinhos e suas casas? Cade o coqueiro? os Cães e a Vaca?

As gaivotas amigas tentam consolá-la. Depois de algum tempo, ela tira de dentro de sua troxinha uma flauta e executa sua doce e suave cantiga.

Soledad está num cais, mum pequeno porto. E aos poucos, sua musica penetrar na neblina do mar silencioso.


Logo depois, um assobio sofeja a sua música. Um som inesperado surge por entre a cortina de vapores, num acompanhamento virtuoso da canção.

Em direção à Soledad, em meio a névoa do mar, aparece a silhueta de uma pequena embarcação. E nela, a figura do seu condutor: um senhor de casacos e bigodes brancos, aspecto de capitão.

Ele se aproxima, e lhe dá as mãos em convite para embarcar. Prontamente ela aceita. Nesse movimento ele a acolhe nos braços e lhe conta algo no ouvido como se fosse um segredo. Ela sorri timidamente.

A neblina espessa se dissipa vagarosamente, e as águas do mar cintiam os mil brilhos que refletem do sol. As gaivotas comemoram esse encontro feliz com Soledad.

O Capitão, em seguida, tenta dar partida ao barco, mas os motores falham. Ele insiste sem sucesso. Soledad timidamente toca nele, sugerindo que tem a solução: desfaz a trouxinha de brinquedos, sobe no mastro e lá amarra a colcha de fuxico de retalhos. O Capitão sorri e ajuda a menina a concluir a tarefa. Esticada no mastro do barco, a colcha torna-se uma belíssima e colorida vela. Ela e ele sopram a nova vela. E no impulso dos ventos, a tripulação parte contente sofejando a mesma canção de Soledad.


E a ilha do vilarejo torna-se tão pequenina frente à beleza do mar que lhes abre um novo horizonte, mais amplo, ensolarado e alegre.

Surgem tantas outras ilhas naquele mar, grandes ou pequenas, agrupadas ou isoladas, habitadas por gente ou bichos, plantas, seres do ar e do mar. Outros portos, navios, barcos, submarinos, peixes de todas formas e cores. Um mundo tão novo o qual jamais ela sonhara.

O Capitão presenteia a menina com um objeto novo: um telescopio. Ela sobe no mastro e pode ver os detalhes das ilhas irmãs.

Um tempo depois, em plano subjetivo, depois de descobrir tantas detalhes num grande mundo, na visão do telescopio, tudo ampliado, Soledad percebe a casinha dos rosnentos, que continuam ainda a uivar e latir, sem parar, numa ilha onde habitam muitas gaivotas.

A gaivotas companheiras do barco voam rapidamente ate lá, e a convite do grupo que chega, as moradoras se avoam animadas, revelando a casinha dos cães.

Soledad aporta para socorrer os cães e os solta das correntes. Revelam-se pequenos e dóceis em suas mãos. São tres caezinhos pintchers. Correm felizes e diferentes de antes.

Soledad pega o caminho de volta para o barco. E os cãezinhos puxam-na pelo vestido. Eles querem leva-la para algum lugar. E o Capitão faz um gesto que ela vá, diante de sua dúvida. Os cães vascullham curiosos e farejam o chão, conduzindo Soledad. O Capitão, do barco, assiste tudo tranquilamente como se soubesse aonde eles iriam chegar.

Soledad caminha na ilha, curiosa e avista, ao longe, no céu, um fio de fumaça cinzenta que sai de uma chaminé quebrada. É o prédio do casal vizinho - apenas o segundo ou terceiro andar - fincado sobre uma pedra alta.

Surge na sacada ainda muito mais tagarela que outrora, a tal senhora que reclama numa lingua que não se compreende... Logo depois, surge o senhor magrinho um pouco mais ao longe, montado na vaca (como um cavaleiro Dom Quixote). Ele sorrir displicentemente, a vaca cominha com sua preguiça costumeira, tranquilos e satisfeitos enquanto a mulher esta a repreendê-lo da sacada...

Soledad lhes oferece a corda do seu pião para ele chegar até a mulher. Ele sobe pela corda, como um verdadeiro príncipe, chegando com certa habilidade até a sacada. Lá, ele a beija galantemente, ela atordoada, restaurada de doçura, silencia perante seguidos beijos...

Soledad esboça um sorriso pelo (re)encontro do casal, não mais briguento. Todos os seis, a mulher gorda, seu marido muito magro, os tres cachorrinhos e Soledad montam na vaquinha que caminha até o barco. Todos sobem ao barco com ajuda do capitão. Soledad se entristece e não quer embarcar. Ela tinha a esperança se achar sua mãezinha. Mas a ilha era tão pequenininha que sua mãe certamente não estaria lá.

Sopra uma brisa naquela ilha e no mesmo vento que revoa os cabelos de Soledad, traz um outro som além do chiado das ondas do mar e do burburinho costumeiro das gaivotas: uma melodia suave, sob a forma de assobio e às vezes com um cantarolazinho[5] . Soledad desperta da quase tristeza. As gaivotas voam todas numa só direção. E Soledad corre alvoroçada e sai a procura do som que é tão familiar à menina.

O casal, a vaca, os cães, Soledad e o Capitão continuam no barco.E em meio ao matagal que invade a visão da menina correndo[6] , o som da cantiga vai aumentando. E dentre os matos, como de canaviais, Soledad chega numa clareira onde está sua mamãe. Ela está sentada em cima de uma tartaruga gigante.

Soledad abraça sua mãe que já estava lhe esperando sorrindo, como nunca em outrora, de braços tão abertos, como nunca em outrora. As duas se abraçam e rodopiam cantando a canção da menina.

Na embracação, o Capitão recebe a mãe com assobios da canção. A mamãe de Soledad sorri e responde cantando a mesma cantiga. A família se abraça, e com os convidados o barco segue viagem, para o horizonte com sua tripulação cantarolante.

O barco veleja para o infinito e o mundo todo, a Terra, começa a girar...passa no quadro a Ilha de Soledad. A ilha ainda tinha o mesmo coqueiro, a vaca, e imenso céu azul, não mais desolado e as tres casinha, de cabeça para cima, coloridas e cheias de flores[7] .

Numa das casinhas, um catavento vagarosamente começa a girar.

Fusão para a técnica stop-motion.

Trilha: Musica alegre (cantiga), baseada no tema de Soledad (flauta).

Um catavento em cena.

Um quarto, ou uma sala, aconcheguante: um lugar seguro... com cortinas pouco esvoaçantes a luz noturna.

Uma abuelita, observado por um niño em seus braços, sofeja uma canção.

A câmera se afasta e no ambiente, revela-se um grande mural de fotos e objetos do mundo, da vida nas ilhas. Um mesma familia, em várias ilhas diferentes, como se fossem viajantes del "Dios Huracán".

Em off, o niño pede para a abuelita contar-lhe uma outra historia e ela continua a cantar, agora com letra, a canção de nanar.

A doce cantiga da abuelita se mescla vagarosamente ao ruído dos ventos e do son del Dios Huracán.

Fim da canção.

Silêncio.

Sons de gaivotas.

F I M


[1](saco feito de um lençol e amarrado em forma de sacola)

[2](brincadeira de rua que as meninas pulam com um pé só dentro das marcas desenhadas no chão — diz-se que o primeiro quadrado é o inferno e se vai até o céu — o último),

[3]brinquedo de madeira de menino que gira após ser impulsionado, por uma corda, ou linha, ou outro impulso

[4]Fim de rubricas para narração. A partir deste ponto, não tem mais voz OFF.

[5]ou cantoriazinha

[6]Plano subjetivo

[7]Rubrica para volta narração